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O Steam Deck foi lançado em fevereiro de 2022 e estreou o novo segmento de consoles portáteis para jogos de PC. Com a chegada de novos players nesse mercado, como Lenovo Legion Go e ASUS ROG Ally, o Canaltech revisitou o Steam Deck para ver como ele se sai agora que temos mais base de comparação e esclarecer se vale a pena comprar o portátil pioneiro.
Claramente inspirada no sucesso do Nintendo Switch, a Valve projetou o Steam Deck para oferecer uma experiência intuitiva para todos os usuários, e não apenas PC gamers veteranos, acostumados aos problemas inerentes do ecossistema do PC.
Para isso, a empresa utilizou uma distribuição Linux do SteamOS desenvolvida sob medida para o console, mas escondeu todos os detalhes mais complexos dentro do modo Big Picture da Steam.
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Interface intuitiva — Ligou, logou, jogou
Logo de saída o usuário já é direcionado para uma tela de criação de conta ou login na Steam desde a primeira inicialização. Para quem não tiver interesse em — ou noção sobre como — explorar camadas mais profundas do Steam Deck OS, é provável que nunca será necessário alternar para o modo desktop, mas o processo geral é bem simples.

Segurar o botão de power abre um menu para trocar de conta, reiniciar ou desligar o console, e acessar o modo desktop com o Linux nativo baseado em Proton. Apesar de não ser obrigatório, conhecer a função pode ajudar a gerenciar o armazenamento no Steam Deck, já que alguns jogos como Final Fantasy 14 utilizam clientes de instalação próprios e para uma desinstalação completa será preciso buscar a apagar a pasta do jogo após removê-lo da Steam.
Salvo por esses casos extremamente pontuais, toda a experiência do Steam Deck é dentro do Big Picture, com atalhos utilizando os botões Steam e Menu (…). Além disso, todos os jogos que rodarem no Steam Deck, mesmo que acusem não ter suporte oficial, como Guild Wars 2, já reconhecem automaticamente o mapeamento de controles, buscando o mais votado pela comunidade na falta de um layout oficial.
Isso faz com que a experiência geral do Steam Deck seja o que se espera, de fato, de um console. Com todas as funcionalidades essenciais, entre instalação, aquisição, e execução de jogos, encapsulada em uma interface intuitiva e bastante limpa, as equipes de UI e UX que trabalharam no console realizaram um trabalho excelente.

Biblioteca da Steam — mas não precisa ser
Um ponto divisivo da interface simples é a restrição aos jogos da Steam otimizados para Proton. Isso porque os jogos de PC são pensados, principalmente, para o ecossistema do Windows, deixando de fora outros sistemas operacionais como Linux e macOS (baseado em Unix).
Inclusive, essa é outra confusão acerca de como os jogos da Steam rodam no SteamOS: o Proton não é uma distribuição propriamente dita, mas uma camada intermediária entre os softwares e o sistema operacional, que cria um modo compatibilidade com o nível mais complexo e baixo nível de instruções geralmente utilizado em Linux.






Por não estar restrita ao modo Big Picture e operar diretamente no nível do sistema, até certo ponto, é possível rodar jogos que não estejam disponíveis na biblioteca da Steam. Ao tentar instalar jogos no modo compatibilidade, o console irá criar uma pequena partição que emula a estrutura de arquivos do Windows, e exige baixar o instalador no modo desktop, adicioná-lo à Steam como se fosse um jogo e forçar o modo compatibilidade.
Contudo, as chances de o processo não funcionar são altas, raramente compensando o esforço. Vale o adendo que jogos da Epic Games Store, GOG e outras lojas, precisam utilizar o launcher terceirizado Heroic Games, e mesmo assim Fortnite e outros títulos desenvolvidos pela Epic não vão rodar.








Resumidamente, o Steam Deck foi projetado para rodar apenas os jogos da biblioteca da Steam, e qualquer coisa fora disso fica por conta e risco do usuário. Uma saída para donos do Steam Deck OLED de 1 TB — ou que expandiram o armazenamento interno — é criar um dual boot, com uma partição em Windows e outra com o SteamOS, mas para o gamer médio, a experiência é a mesma ou superior à dos donos do Switch.
Pouco armazenamento
Um problema do Steam Deck — e de todos os portáteis da concorrência — ainda é o armazenamento interno. A maioria dos jogos para PC têm instalações muito maiores que de consoles convencionais, com a média partindo de 50 GB e muitos lançamentos passando com folga dos 100 GB.

Sendo assim, a versão base do Steam Deck com SSD de 256 GB que testei tem uma capacidade bastante restrita para jogos. Até é possível utilizar cartões microSD para expandir o armazenamento de forma simples, mas os tempos de carregamento e o próprio desempenho em alguns jogos fica muito prejudicado.
As velocidades de leitura de um SSD NVMe PCIe 3.0, padrão utilizado de fábrica no Steam Deck, são de até 3.500 MB/s em média, enquanto os cartões de memória mais rápidos raramente chegam a 200 MB/s. Outra questão é que os microSDs mais rápidos também são tão ou mais caros que alguns SSDs NVMe.
Por incrível que pareça, a solução ideal é simplesmente trocar o SSD interno do Steam Deck, mas isso implica em um investimento extra e um pouco de habilidade, pois a primeira versão traz uma cobertura metálica sobre o SSD e conector de bateria, dificultando o processo.
A Valve amenizou esse problema no Steam Deck OLED trazendo versões com 512 GB e 1 TB, além de melhorar a estrutura interna para facilitar a troca do SSD. De qualquer forma, o volume ainda é relativamente baixo para muitos usuários, e SSDs externos dependem da única porta USB-C do console, a mesma utilizada para carregamento.
Disposição dos controles
Em termos de conforto, os controles do Steam Deck são bastante competentes, mas sua disposição é pouco intuitiva, por posicionarem os botões bem próximos das bordas, ao lado dos analógicos. A Valve optou por essa disposição para acomodar os dois trackpads mais centralizados.

O problema é que, ao menos na versão base, esses trackpads são muito ruins. A sensibilidade é estranha, tentar pressioná-los para “clicar” é um caos, pois eles têm alturas de atuação similares a de botões convencionais, e o clique sempre tira o cursor do lugar.
Por sorte os botões de ombro (R1 e L1) também funcionam como os cliques direito e esquerdo do mouse, mas o instinto é sempre clicar no trackpad e, consequentemente, passar um pouco de raiva.
Ter o D-Pad e os botões ABXY muito próximos aos ombros do console também é um pouco desconfortável no começo, mas nada que algumas horas jogando não resolva.
Não vende no Brasil
O maior problema real do console é que, apesar de ter página oficial totalmente localizada em português brasileiro, ele ainda não é comercializado oficialmente no país.
Até onde se sabe, a Valve sequer planeja lançar o produto por aqui, dificultando o processo de adquirir um Steam Deck, independentemente da versão.

Isso obriga os interessados a apelarem para o mercado cinza, market places, pedir para algum amigo ou parente trazer de fora, ou comprar de segunda mão. Várias lojas que trabalham com importação direta anunciam o Steam Deck OLED de 512 GB por até R$ 5 mil.
O valor ainda é bem mais baixo que o praticado pela Lenovo e ASUS nos Legion Go e ROG Ally, mas além de seus produtos serem mais completos em termos de hardware, sempre existe o risco de o Steam Deck não chegar ou ser taxado na importação.
Melhor experiência no hardware mais fraco
Comparando o hardware dos três concorrentes, a APU Zen 2 do portátil da Valve é bem inferior à Zen 4 do Lenovo Legion GO e ASUS ROG Ally, e por isso mesmo sua tela é apenas HD (720p). Por outro lado, a otimização intensa que a dona da Steam realizou no sistema operacional sob medido entrega uma experiência de uso muito superior.

Tudo é relativamente mais fácil no Steam Deck e o que não é, simplesmente cai na seara dos consoles tradicionais de “não foi pensado para isso”. Por si só, isso já faz vale a pena comprar o Steam Deck, sim. A única barreira mesmo é encontrar uma forma confiável de trazer o aparelho para o Brasil, e estar ciente que não ter representação oficial no país também implica em não ter direito a garantia local.
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Leia a matéria no Canaltech.
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